Indecisão na MOP 3: secretário executivo antecipa impasse entre os países
Taken from http://midiaindependente.org/pt/blue/2006/03/348354.shtml
Kelen Vanzin
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17.03.2006 23:36
Os delegados dos 188 países que vieram a MOP 3 devem passar todo o dia de hoje, 17, em discussões. Até agora não há nenhuma decisão.
O secretário executivo da Convenção de Diversidade Biológica – CDB – Ahmed Djoghloj, em entrevista coletiva hoje, 17, no último e definitivo dia para as decisões da MOP 3, já antecipou o teor dos acordos. Em tom educado e fazendo muitos elogios ao Brasil, Djoghloj afirmou que o texto que trata da identificação de transgênicos, mais especificamente ao artido 18.2(a), já foi escrito e deve ser analisado hoje pelos 182 delegados que participam da conferência. Quando questionado se o texto propõe o termo “contém”ou “pode conter”, o secretário limitou-se a dizer que “estamos perto de um acordo, porém precisamos dar tempo ao tempo e não pressionar para que os delegados tomem a decisão.O texto não vai agradar a todos”, afirmou.
O secretário elogiou a postura brasileira diante do impasse da identificação de organismos vivos modificados (OVMs). Ele demonstrou que o prazo de quatro anos proposto pelo Brasil pode ser uma alternativa. “Esperamos que o artigo 18.2 a que vem sendo protelado há 8 anos seja decidido nesta MOP. A proposta brasileira serviu de base para a elaboração do texto que será analisado”, argumentou.
Pioneirismo brasileiro
A Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena, MOP, no Brasil, é a maior em público de todas já realizadas. Até agora foram contabilizados mais de 3000 participantes. No ano passado, cerca de 2300 pessoas participaram no Canadá. “Estamos em um dos países de maior biodiversidade e o primeiro a assinar a CDB. O Brasil é o primeiro também a ter um presidente que participa ativamente das convenções. Queremos parabenizar o presidente Lula”, disse.
O Brasil se antecipou nas decisões e ainda na terça-feira, 14, apresentou sua proposta afirmativa à terminologia “contém”, porém com um prazo de 4 anos para que os países se adaptem as novas regras. A postura brasilera foi criticada pelos movimentos sociais, entre eles, a Via Campesina Internacional, que exige a imediata utilização do termo para identificar os OVM.
Outros países como México, Paraguai mostram-se desfavoráveis a proposta brasileira. Eles preferem a terminologia “pode conter” transgênico, já que para a sua execução não serão necessários muitos recursos. A Nova Zelândia até agora não se manifestou, mas desde o ano passado, mantém postura contrária ao “contém”. Os demais países participantes são favoráveis ao “contém”.
Os delegados dos 188 países que vieram a MOP 3 devem passar todo o dia de hoje, 17, em discussões. Até agora não há nenhuma decisão.
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